Aneurisma Cerebral: Gravidade, Diagnóstico e Tratamento

Aneurisma cerebral: o que é?

O aneurisma cerebral corresponde a uma fragilidade em algum vaso sanguíneo do cérebro, normalmente nas bifurcações, e dessa forma, o sangue circulante começa a formar uma pequena bolha que se expande com o passar do tempo. Como aquele vaso está com uma bifurcação frágil, ele pode acabar se rompendo em um determinado momento.



Tipos de aneurisma

Dentre os vários tipos de aneurisma, o sacular é o mais comum. Essa denominação se deve justamente a formação de algo similar a um saco. Outro tipo é o aneurisma fusiforme, que por sua vez é geralmente mais difícil de ser tratado.

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Gravidade do aneurisma

Segundo a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, o aneurisma cerebral ocorre em um índice que varia de 1% a 5% da população. Na maioria dos casos, o afetado pelo problema pode passar a vida toda sem exibir nenhum sintoma. Porém, quando rompido, o aneurisma se torna uma doença grave O maior risco é a hemorragia, que atinge 20 a cada 100 mil pessoas anualmente.

De 10% a 15% dos pacientes com aneurisma morrem antes mesmo de chegar ao hospital, e aproximadamente 50% exibirão alguma sequela, que dependerá prioritariamente do tipo de irritação provocada e região do cérebro atingida. Geralmente, as sequelas estão relacionadas à fala e à parte motora.

Como o cérebro é repleto de vasos sanguíneos, o aneurisma poderá ocorrer em vários locais diferentes. Para se ter ideia da quantidade de vasos sanguíneos presentes no cérebro, 25% do sangue bombeado pelo coração é destinado a esse pequeno órgão.

Por que o aneurisma cerebral é tão grave?

A caixa craniana é fechada, logo, qualquer evento que aumente sua densidade resulta numa ampliação da pressão intracraniana. Após o rompimento do aneurisma, o sangue se espalha pelo cérebro, irritando o órgão e causando a dor de cabeça súbita. Além do aumento da pressão intracraniana, esse alastramento do sangue pelo cérebro pode resultar em outras complicações, como a hidrocefalia e o vasoespasmo.

Incidência em homens e mulheres

Embora ainda se desconheça o motivo, o aneurisma é ligeiramente mais frequente nas mulheres do que nos homens, seguindo a proporção 3:2, ou seja, 3 mulheres afetadas para cada 2 homens com o problema.

Mulheres na menopausa

O rompimento do aneurisma não se deve necessariamente à entrada da mulher na menopausa, na verdade, essa fase coincide com a faixa etária na qual há uma maior propensão do aneurisma se romper, ou seja, por volta dos 40 a 50 anos de idade.

Diagnóstico do aneurisma

O diagnóstico do aneurisma divide os neurocirurgiões. O fato é que o custo da triagem deve ser levado em consideração, pois impossibilita a sua realização em toda população. Assim, os médicos partem para a análise de subgrupos, definidos conforme o histórico familiar de cada paciente.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a investigação ocorre somente quando o indivíduo possui mais de um familiar de primeiro grau com histórico de aneurisma cerebral. Essa investigação é indicada a partir dos 30 anos de idade.

Cabe dizer que há controvérsias na literatura médica quanto à quantidade de familiares de primeiro grau que deve ser considerada. Há evidências científicas apenas nos casos que envolvem dois familiares de primeiro grau. O fato é que a descoberta de uma doença assintomática que poderá gerar grandes problemas a qualquer momento, provoca desespero nos pacientes.

Se o indivíduo tiver fragilidade nos vasos sanguíneos, o aneurisma poderá ocorrer em mais de um lugar. De qualquer modo, todos os aneurismas são encontrados somente mediante realização de exame. Atualmente, o paciente não precisa mais passar por um cateterismo para descobrir que tem um aneurisma. Para isso existem novas tecnologias, como a ressonância e a angiotomografia.

Relação entre enxaqueca e aneurisma

A enxaqueca e a cefaleia tensional se destacam como as dores de cabeça mais comuns. Existem casos de pessoas que possuem enxaqueca, e, de repente, descobriram ser portadoras de um aneurisma. Porém, geralmente essa dor de cabeça não possui relação com o aneurisma. Na verdade, existem várias teorias acerca das causas da enxaqueca. Uma delas estabelece uma associação com os vasos sanguíneos.

Caso a pessoa sinta uma dor de cabeça súbita e bem mais intensa do que costuma ter, essa cefaleia poderá ser resultado de um aneurisma dilatado. Algumas teorias citam a chamada cefaleia sentinela, que se manifesta antes do rompimento do aneurisma, provocando igualmente uma dor intensa. Sempre que um paciente chegar ao pronto-socorro e relatar uma dor de cabeça jamais sentida por ele, o ideal é que seja submetido a um exame de imagem.

Como tratar o aneurisma

No pronto-socorro, o médico deve realizar um exame de imagem, visualizar o sangue e verificar os vasos por meio da angiografia ou angiotomografia.

Existem dois filtros: o aneurisma que se rompeu, e aquele que permanece intacto. A partir da ruptura, tem-se uma urgência, caracterizada por uma dor de cabeça súbita e muito intensa, a qual costuma ser relatada como a pior dor de cabeça da vida daquele indivíduo. Muitos desses pacientes chegam a perder a consciência.

No entanto, nem todo aneurisma descoberto deverá ser necessariamente tratado. Existem alguns casos em que o médico analisará o tamanho e localização do aneurisma, e alertará o paciente sobre os possíveis riscos. Porém, se o aneurisma se romper, o paciente deverá ser encaminhado para um tratamento cirúrgico imediato, que consiste na execução da clipagem ou na embolização.

Embora haja receptores sensitivos nos vasos sanguíneos e nas meninges (membranas que envolvem o cérebro), o cérebro em si não possui sensibilidade. Prova disso são as cirurgias que precisam ser realizadas com o paciente totalmente consciente. Nestes casos, o indivíduo permanece acordado sem sentir dor porque as partes sensitivas, por exemplo, pele e crânio, foram devidamente anestesiadas.

Decisão do tipo de tratamento

A decisão médica sobre a medida a ser tomada tende a ficar cada vez mais complicada. A primeira resolução está ligada à realização do exame de diagnóstico. A segunda está vinculada ao tratamento, quando o médico avaliará o tamanho e localização do aneurisma. Por fim, a terceira deliberação se relaciona à modalidade de tratamento que será adotada: clipagem (cirurgia aberta) ou cateterismo (que gera uma embolização).

Qualquer procedimento relacionado ao cérebro acaba sendo invasivo. A cirurgia aberta consiste em uma craniotomia, ou seja, na remoção de uma parte óssea para se chegar até o vaso e inserir um clipe nele. Esse procedimento é a clipagem do aneurisma.

clipagem

No caso do tratamento endovascular, um cateter é introduzido no paciente pela artéria femoral.

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