Autismo: Diagnóstico, Sintomas e Tratamento

Autismo: o que é?

O cérebro de um indivíduo sem autismo realiza uma ação de cada vez. Assim, sempre que uma nova atividade é iniciada, a anterior é interrompida. Mesmo quando duas atividades estão sendo realizadas ao mesmo tempo, na verdade o cérebro as executa separadamente, trocando de uma para outra de uma forma bem rápida.



Esse procedimento não vale para os autistas. Por terem um cérebro hiperexcitado, esses indivíduos “ligam” uma atividade sem “desligar” a anterior. Então, ao longo do dia, eles acabam realizando muitas atividades simultaneamente.

Diagnóstico e sintomatologia do autismo

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Atualmente o autismo pode ser identificado já durante o primeiro ano de vida da criança. Nessa fase, é possível notar, por exemplo, que a criança autista não olha diretamente para as outras pessoas, além de falar pouco, exibir um tamanho inferior ao esperado, apresentar mais problemas médicos, e ter maior propensão a ser mais birrenta e teimosa.

Relacionamento social do autista

O grande “carro chefe” das alterações do espectro autista é a sociabilidade do indivíduo. A cognição social dos autistas funciona aquém do esperado. Por essa razão, é difícil para eles serem empáticos, ou seja, saberem se colocar no lugar dos outros. Muitas vezes, eles também podem não compreender certas piadas e ironias.

Existem pacientes que possuem intenções de se relacionar, criar amizades ou ter relacionamentos amorosos, porém, muitas vezes eles falham ao se aproximar das pessoas e realizar uma leitura das “pistas sociais”, já que os seres humanos se comunicam constantemente por meio da linguagem não verbal, caracterizada pelo uso de gestos, expressões e modulações das entonações de voz. Tudo isso acaba complicando o “jogo social” aprendido mais naturalmente pelas outras pessoas.

Diferenças entre meninos e meninas autistas

Mesmo as pesquisas mais antigas sobre o autismo já mostravam que há uma diferença bem profunda entre meninos e meninas autistas. Na teoria, os quadros das meninas autistas seriam mais graves do que os dos meninos, já na prática, é difícil perceber essa diferença.

Padrão de comportamento repetitivo

Na realidade, o padrão de comportamento repetitivo exibido pelo autista resulta de um cérebro tentando se organizar. Então, o hábito de sempre retornar para o mesmo start faz com que o autista continue agindo de forma adequada naquele mar de estímulos que possui.

Conforme o autista amadureça, esses padrões de comportamento repetitivo tendem a mudar, porém, as novas maneiras de agir serão sempre baseadas em rituais, rotinas e compulsões.

Cérebro de um autista

O cérebro imaturo é mais sensorial e motor. Por isso, ocorre o predomínio de comportamentos repetitivos motores (as estereotipias) e sensoriais (hipersensibilidades tátil, gustativa, olfativa, visual e auditiva).

Redes neuronais e redes de preferência

Desde o primeiro dia de seu nascimento, durante o período diurno o ser humano cria novas redes neuronais, já durante a noite, ele memoriza as redes neuronais criadas. No dia seguinte, o indivíduo reativa essas redes, além de acrescentar novas informações e armazená-las durante a noite. Esse processo é realizado ao longo de toda a vida.

Os pacientes com autismo têm redes neuronais de preferência. Assim, as novas informações do dia devem ser atreladas a essas redes neuronais de interesse. Por exemplo, se um autista gosta de animais e quer ficar os desenhando o dia todo, e por outro lado há o desejo de seus familiares de que ele se interesse por outras coisas, é possível, por meio dos animais, fornecer conhecimentos ligados a outras áreas.

Assim, se, por exemplo, o objetivo for estimular o autista a aprender mais sobre o céu, basta dizer a ele que um passarinho está brincando em um lugar ensolarado e com nuvens. De repente, o céu será seu único tema, enquanto os animais serão colocados em segundo plano. Contudo, as mesmas redes neuronais estarão sendo usadas.

Portanto, o médico do autista deve saber como usar o comportamento repetitivo do paciente a seu favor, e assim fazer com que ele amplie seu espectro de informações. Às vezes, o profissional não consegue encontrar a dificuldade de um autista, o que pode atrasar o tempo necessário para que ele melhore. No entanto, sem uma análise individual é impossível realizar uma leitura adequada.

As pessoas tentam fazer com que o cérebro do autista funcione como o delas. Porém, se os autistas tentarem repetir o mesmo funcionamento cerebral das outras pessoas, eles se desorganizarão, e poderão entrar em crise. O importante é que as pessoas vejam o autista como ele é, e não tentem transformá-lo em uma pessoa comum. Se as pessoas conseguirem prover o mundo do qual o autista necessita, ele poderá se desenvolver muito bem.

Programa de inclusão social para os autistas

No que diz respeito à inclusão social dos autistas, houve um grande avanço nos últimos anos, inclusive com o desenvolvimento de leis que permitem a eles lutarem por seus direitos. Assim, os autistas vêm conquistando o direito de estudar em escolas regulares, bem como inclusão no mercado de trabalho. Contudo, na prática, fazer valer esses direitos ainda é geralmente complicado.

Conselhos para pais de crianças autistas

Sabe-se que muitos profissionais estão despreparados para identificar esses quadros precocemente. Os pediatras, que deveriam ser os primeiros a detectar o transtorno, muita das vezes, acabam se mostrando pouco preparados. Logo, os pais devem buscar especialistas na área para que o diagnóstico possa ser feito o mais precocemente possível.

Além disso, os pais sempre devem fornecer algum estímulo à criança autista. É muito importante que ela sempre esteja realizando alguma ação durante todo o dia. Estudar inglês ou praticar natação, por exemplo, são atividades úteis nesse sentido.

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Os pais não devem fazer com que a criança se sinta diferente, assim, ela deve ser incluída socialmente o máximo possível, e mesmo quando contra a sua vontade os pais devem insistir para que ela tenha contato com o ambiente exterior. Por fim, é fundamental que se tenha paciência no trato com essas crianças, pois todas as pessoas podem aprender.

A ONG Autismo e Realidade ajuda os pais a ficarem mais bem informados sobre o problema e lutarem contra o preconceito. Para conhecê-la, acesse: http://autismoerealidade.org/

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