Cérebro: Como Funciona e Anatomia – Guia Definitivo

Como nosso cérebro funciona

O cérebro é responsável por executar todas as ações de nosso corpo, e é dividido em dois hemisférios, a grosso modo pode-se dizer que, o lado esquerdo controla os pensamentos analíticos, enquanto que o direito os criativos.



A complexidade de nosso cérebro

O cérebro humano é composto por cerca de 86 bilhões de neurônios, e cada um deles pode formar até 10 mil conexões entre si. Considerando que ocorram transmissões de informações em cada uma dessas conexões, há um número gigantesco de combinações de estados que pode ocorrer em cada instante no cérebro.

Nosso cérebro é percorrido por correntes elétricas a cada milésimo de segundo, e o simples fato de alguém assistir a um vídeo na internet ou ouvir a voz de um narrador gera uma tempestade de correntes elétricas no cérebro que resultam em pensamentos, emoções e consciência.

Pode até parecer mágica, mas não é. O que existe no interior de nossa cabeça é um órgão de complexidade única no planeta Terra, e que a partir do caos gerado pela interação de milhares correntes elétricas, produz a experiência de viver no mundo.

O que normalmente chamamos de cérebro, na verdade, se chama encéfalo, e o cérebro é apenas uma de suas partes juntamente com o cerebelo e o tronco encefálico. Se o encéfalo fosse uma parede, os neurônios e células da glia seriam os tijolos.

Partes distintas do encéfalo estão envolvidas em diferentes funções biológicas, cognitivas, sensoriais e motoras. As funções psicológicas estão interligadas de uma maneira muito complexa com o tecido neural. Porém, nem sempre há somente uma área envolvida, pois vários dos feitos humanos envolvem o funcionamento conjunto e simultâneo de diversas regiões do encéfalo. Além disso, em caso de danos a uma área, outras regiões podem retomar as funções prejudicadas parcial ou totalmente.

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E pra não deixar dúvidas: diferentemente do que se diz por aí, não usamos apenas 10% de nosso cérebro. Na verdade, ele é utilizado quase que completamente e quase o tempo todo.

Policronização

O cérebro é capaz de reunir informações e interpretar cada evento de um modo único. Se, por exemplo, uma bola se desloca no espaço, o cérebro a processa como um objeto que possui uma forma esférica e que se movimenta à frente de um campo constituído por alguma cor. Outros parâmetros podem ser a velocidade e a emissão do som. Todos esses aspectos são processados em diferentes áreas do cérebro, que precisa concatenar esses dados para transformá-los no objeto observado, ou seja, uma bola em movimento.

A ideia que sustenta o conceito de policronização fornece exatamente esse contexto, onde o cérebro é capaz de utilizar uma quantidade finita de células em um processo que codifica os eventos de uma maneira quase que infinita.

No caso da memória operacional, existem redes no córtex pré-frontal que atuam durante a codificação do evento. Essas mesmas redes são usadas para processar diversos eventos, mesmo que eles ocorram em tempos diferentes.

Como o cérebro filtra as informações

Continuamente, as pessoas recebem uma série de sinais captados por seus sentidos. Contudo, é impossível processar todo esse volume ao mesmo tempo. Afinal, a memória de trabalho é bastante limitada. Por isso, o indivíduo não consegue processar todas as informações que chegam a ele a cada segundo.

Há dois filtros no cérebro. Um deles é o chamado SAR (Sistema Ativador Reticular) e o outro é a amigdala.

Sistema Ativador Reticular (SAR)

O SAR é um feixe de nervos situado na base do crânio, ou seja, na parte mais fundamental e primitiva do cérebro. Inclusive, se houver qualquer dano nesses nervos, muito provavelmente o indivíduo entrará em estado de coma.

O SAR cumpre várias funções ligadas ao funcionamento básico do organismo, além de filtrar tudo que é recebido pelo organismo. Assim, ele encaminha algumas informações para o consciente, e diante da impossibilidade de fazê-lo, direciona-as para o subconsciente.

Critérios de filtragem do SAR

Alguns fenômenos ligados ao funcionamento do SAR podem ajudar o individuo a entender os critérios usados para nesse processo de filtragem. Por exemplo, quando alguém decide comprar um modelo especifico de carro, é normal que ele comece a reparar mais naquele modelo de carro transitando pelas ruas. Isso acontece porque o cérebro fica preparado para receber aquele tipo de informação, que agora passou a ser relevante. Desse modo, o sistema ativador reticular prioriza esse tipo de informação para enviá-la à consciência.

Outro fenômeno interessante pode ser notado em uma festa ou qualquer outro evento onde haja muitas pessoas conversando. Um único indivíduo não consegue ouvir todas as conversas alheias porque também está conversando. Logo, ele só consegue prestar atenção às conversas que estão acontecendo em seu grupo. Contudo, se, de repente, em alguma outra conversa, alguém pronunciar seu nome em um tom audível, a atenção do indivíduo pode ser imediatamente desviada para esse novo grupo.

O mesmo pode acontecer se alguém falar sobre um assunto que seja de seu interesse, como um filme que está prestes a ser lançado e que ele aguarda ansiosamente. Assim, como seu sistema ativador reticular já está direcionado para aquele filme, o cérebro capta aquela informação em meio à vasta quantidade de sons que estavam sendo ouvidos de forma indiferente.

Um teste realizado com certa frequência em palestras consiste em fazer com que as pessoas observem os outros presentes e contem o total de blusas vermelhas que conseguem enxergar. Depois, o palestrante, pede que, por exemplo, todos fechem os olhos e pergunta quantas blusas marrons há na mesma sala. Diante desse questionamento, muitas pessoas riem, pois a atenção delas estava focada apenas nas blusas vermelhas. No final da “dinâmica”, os indivíduos são orientados a abrirem os olhos e constatarem o total de blusas marrons. E, realmente notam que havia muitas pessoas com uma blusa marrom naquela sala.

Portanto, os critérios adotados pelo sistema ativador reticular para determinar quais as informações serão direcionadas ao consciente ou subconsciente são pautados nos temas mais frequentes e interessantes para cada indivíduo. Nesse processo, são valorizadas informações que estejam vinculadas de uma forma mais afetiva com o indivíduo, como o nome de uma pessoa que ele goste ou odeie. Este tipo de aspecto estimula o SAR, que capta uma informação em um ambiente ruidoso e a leva para a consciência, enquanto as outras são armazenadas no inconsciente.

Amígdala: o “juiz das emoções”

A amígdala é a parte do sistema límbico responsável pelo julgamento do significado emocional dos sinais deslocados para a consciência. Há dois julgamentos possíveis. Em um deles, a amígdala pode interpretar aquele sinal como algo perigoso, e com isso, o indivíduo será limitado a fugir, ficar paralisado, ou lutar.

Todavia, a amígdala também pode interpretar o sinal como algo tranquilo e corriqueiro, e transferir a informação para o córtex pré-frontal, região em que ocorre o raciocínio e na qual pode efetivamente haver algum tipo de aprendizado. No entanto, alguns sinais acabam chamando mais a atenção do que outros, como por exemplo, mudanças que contenham uma promessa de prazer envolvida ou ainda algo que desperte a curiosidade do indivíduo.

Estudo do cérebro

No passado, era possível estudar apenas cérebros de pessoas mortas. Atualmente, podemos ver o funcionamento do cérebro em tempo real devido às imagens médicas. Assim, essas inovações ajudam a perceber melhor seu funcionamento.

Medições cerebrais com ultrassons

Um hospital da Lituânia iniciou uma fase de testes pouco habituais. Neles, pacientes vítimas de traumatismo craniano utilizaram óculos de plástico no intuito de medir a pressão de seus tecidos cerebrais. Até então, a obtenção desses dados, utilizada para determinar se os pacientes têm ou não riscos de desenvolver lesões cerebrais, só era possível por meio de uma cirurgia que envolvia a perfuração do crânio, uma operação cara e perigosa.

Esse novo procedimento concede aos neurocirurgiões a possibilidade de descobrir o que se passa no cérebro sem haver necessidade da utilização de métodos invasivos. Na neurocirurgia, os procedimentos invasivos são comuns, mas eles não podem ser utilizados em pacientes conscientes. O novo equipamento permite a realização de medições intracranianas mais seguras, confiáveis e rápidas.

Trata-se de uma plataforma que se baseia na tecnologia dos ultrassons. Os medidores do ultrassom são aplicados sobre os olhos e medem os parâmetros de fluxo sanguíneo em várias regiões da artéria oftálmica. Segundo os criadores do projeto, o sinal é processado de forma rápida e precisa.

O desafio é fazer com que a plataforma seja extremamente sensível, sendo possível acompanhar a velocidade das partículas sanguíneas e outros parâmetros em vasos cerebrais muito pequenos. Por isso, foi necessário desenvolver tecnologias inovadoras, como as soluções para o processamento de sinais digitais ou filtros de algoritmos, com o intuito de que todas elas possam ser inseridas em uma única plataforma eletrônica.

Setores do cérebro: anatomia e fisiologia do córtex cerebral

Algumas partes do cérebro são especializadas em certas áreas. Porém, na prática, o funcionamento cerebral é similar ao de uma orquestra, trabalhando de modo integrado. Pode-se pensar no cérebro como um prédio de uma empresa que se divide em vários setores especializados, e seu bom funcionamento depende da sincronização e harmonia entre todos esses setores. E assim como ocorre nas empresas, no cérebro um mesmo setor pode ser responsável por várias funções ou executar certas atividades em colaboração com outras partes do órgão.

Ao analisar o córtex cerebral, é possível dividi-lo em quatro partes principais (ou lobos): occipital, parietal, temporal e frontal.

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Lobo occipital

A principal função da região occipital é processar informações visuais. Essa área possui cerca de 30 sub-regiões, que são ainda mais especializadas em algum aspecto da experiência visual, como no processamento de cores ou formas.

Lobo temporal

Engana-se quem pensa que o lobo temporal é responsável por conceder a noção de tempo ou fornecer uma espécie de relógio biológico. Na verdade, é nessa área que muitas coisas complicadas acontecem. A memória e a percepção, por exemplo, estão intimamente ligadas a essa região.

Entre suas funções, o lobo temporal permite o reconhecimento de objetos e a geração de lembranças de como o indivíduo se sente perante a eles, além de possibilitar a compreensão da linguagem.

Algumas áreas importantes se situam nesse lobo. A amídala, por exemplo, é uma estrutura fortemente ligada às emoções. Enquanto isso, o hipocampo é muito importante na formação das novas memórias. Também há a área de Wernicke, uma das poucas que podem ser mencionadas como especialmente humana, pois diferencia bastante o cérebro humano daquele presente em outros animais. Essa referida área se desenvolveu acentuadamente no cérebro humano e está relacionada principalmente à compreensão da linguagem.

Lobo parietal

O lobo parietal está mais envolvido na capacidade humana de elaborar pensamentos abstratos e no processamento de informações advindo de várias fontes, como músculos, tato, visão e audição. Ao juntar essas informações, essa região permite que se tenha uma noção geral do corpo e do mundo ao seu redor.

Como o lobo parietal é uma área diretamente ligada à noção espacial e temporal, a danificação de algumas de suas partes pode fazer o indivíduo ter a impressão de que está fora de seu próprio corpo, e assim, ele poderá, por exemplo, a perder a consciência de um dos lados de seu corpo ou ter a certeza de que um de seus braços não lhe pertence, mas sim a outra pessoa.

Lobo frontal

O lobo frontal permite realizar ações motoras simples, planejar objetivos, manter informações acessíveis à mente – algo que chamamos de memória de trabalho -, e muitas outras coisas que estão apenas começando a serem compreendidas.

Córtex pré-frontal

O córtex pré-frontal é uma pequena região ainda mais misteriosa presente no interior do lobo frontal. Caso essa área seja danificada, características como personalidade, valores morais, empatia e bom senso do indivíduo podem ser extremamente afetadas. Dessa forma, essa região parece estar envolvida com aspectos muito importantes para nós, o que pouco se sabe é como se dá esse envolvimento.

Um pouco sobre neuroplasticidade

Por muito tempo acreditou-se que conforme envelhecíamos, nossas conexões neurais permaneciam fixas, contudo, hoje já se sabe que o cérebro continua aprendendo ao longo de toda a vida e que ele se modifica na medida em que ocorre o aprendizado. Assim, o ideal é estimularmos nosso cérebro continuamente, fazendo com que ele sempre tenha novos desafios.

Evidentemente nosso cérebro não é feito de plástico, porém, o fato desse órgão poder se reorganizar e criar novos caminhos neurais faz com que ele tenha a plasticidade necessária para conseguir se adaptar à situações muito distintas. Isso significa que o cérebro consegue se rearranjar, algo que depende de fatores de cunho genético, social e ambiental. Todos esses aspectos influenciam na capacidade do cérebro em se tornar mais adaptável à realidade na qual vivemos.

Etapas da vida em que a neuroplasticidade ocorre

A neuroplasticidade ocorre em pelo menos três momentos de nossa vida, o primeiro deles quando o cérebro imaturo se organiza pela primeira vez. O segundo quando sofremos algum tipo de lesão cerebral. Nesse contexto, visando compensar as funções perdidas ou maximizar as remanescentes, o cérebro executa novos rearranjos. O terceiro momento acontece quando aprendemos e memorizamos novas funções.

Dessa forma, nosso cérebro está constantemente se reorganizando e se renovando. No caso das lesões cerebrais, ele se reorganiza formando novas conexões neurais, valendo-se de neurônios que ainda estejam intactos.

Resiliência e cérebro saudável

Segundo a física, resiliência é a capacidade de um material em ser tensionado e retornar ao seu estado normal posteriormente. Na vida real, a resiliência consiste na capacidade do indivíduo em enfrentar e superar situações desafiadoras em sua vida.

Para confrontar esses desafios, muitas vezes é necessário usar a criatividade e pensar “fora da caixa”, além de, em alguns momentos, priorizar o raciocínio lógico em detrimento das emoções.

O interessante é que, conforme superamos desafios, fortalecemos as conexões sinápticas de nosso cérebro. Além disso, cada adversidade superada libera no cérebro substâncias que geram sensação de bem estar, prazer, competência, autoestima e autoconfiança.

Pessoas resilientes são otimistas, enfrentam a vida com positividade, cultivam relacionamentos sociais e familiares positivos, assumem a responsabilidade por suas próprias decisões e escolhas, e possuem flexibilidade para romper paradigmas, ou seja, agir, pensar e sentir de um modo diferente. Afinal, a variedade é a base da teoria do exercício cerebral. É por isso que a resiliência está também ligada à ginástica cerebral.

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