Dislexia: Causas, Incidência, Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Dislexia: o que é?

O termo “dislexia” data do fim do século XIX, tendo sido cunhado pelo médico alemão Rudolf Berlin após observar um jovem com inteligência normal, mas com dificuldades para ler. Esse fato deixou Berlin bastante intrigado. Alguns anos depois, um oftalmologista escocês observou outro caso, acreditando haver alguma alteração oftalmológica relacionada à dificuldade de percepção.



O tema voltou à tona das décadas de 1980 e 90. Atualmente, existem muitos estudos relacionados à percepção e medida da retina, e o conceito de dislexia está muito mais difundido.

De forma literal, a dislexia remete à dificuldade em lidar com as palavras. Na verdade, trata-se de um distúrbio do aprendizado, em que a criança, principalmente na época da alfabetização, apresenta dificuldades em ler, escrever, pronunciar e soletrar. Esses são os principais sinais desse distúrbio.

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Em diferentes graus, o referido transtorno acomete de 0,5% a 17% da população mundial, e pode se manifestar em pessoas com inteligência normal ou superior, podendo ainda persistir na vida adulta.

Causas da dislexia

A influência genética é a causa primária da dislexia, havendo nesse caso uma alteração cromossômica transmitida dos pais para os filhos. As causas secundárias estão ligadas ao próprio desenvolvimento da criança, enquanto as causas traumáticas podem ocorrer em qualquer idade.

Incidência da dislexia

Relação entre gênero sexual e dislexia

Atualmente, de 3% a 6% das crianças em idade escolar apresentam o problema, sobretudo os meninos, que compõem cerca de 60% dos casos. Segundo uma hipótese, uma maior exposição do feto à testosterona durante a fase de gestação, pode estar relacionada à maior incidência da dislexia entre os homens. Bebês femininos que sofrem a mesma exposição exagerada podem acabar sendo abortados.

Relação entre as línguas e a dislexia

A leitura depende do reconhecimento do símbolo por parte do indivíduo e sua associação ao som. Existe uma base neurocognitiva da dislexia que está presente em todas as línguas. Em idiomas mais “opacos”, como o inglês, os símbolos normalmente não correspondem ao som. Já nas línguas que são mais “transparentes”, como a finlandesa e a italiana, os símbolos são mais regulares com relação ao seu som. A língua portuguesa, entretanto, é “semitransparente”, ou seja: há símbolos que representam os sons correspondentes, enquanto outros não apresentam esse padrão. Nas línguas “opacas” há uma maior incidência da dislexia, enquanto nas “transparentes” há menos. Já a língua portuguesa apresenta uma incidência equilibrada.

Sintomas da dislexia

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Alguns dos principais sintomas são: dificuldade em ler, compreender, expressar-se, escrever, fazer cálculos e resolver problemas matemáticos.  Contudo, o fato de uma criança demorar a aprender a ler ou escrever não significa que necessariamente ela tenha o problema. Esse distúrbio é identificado em crianças que, na idade esperada, exibem uma maior dificuldade em processar informações, além de apresentarem alterações bruscas de humor, se irritando e se desinteressando facilmente.

Alguns outros fatores também acompanham o problema, como a desordem tempo-espacial, perda da noção entre direita e esquerda, e alterações da motricidade.

Diferentes graus de dislexia

No grau mais leve do transtorno, o portador consegue contornar suas dificuldades gradualmente e muita das vezes sozinho. Já nos casos que envolvem mais severos é necessária ajuda profissional.

Consequências da dislexia em adultos

Alguns adultos acometidos pela dislexia acreditam que não têm capacidade de aprender e estudar, com isso, essas pessoas acabam buscando exercer tarefas mais práticas, manuais e de menor complexidade.

Diagnóstico inicial

O diagnóstico inicial da dislexia é geralmente feito pelos professores que estão acompanhando a criança nas fases pré-escolar e escolar, período no qual ela está sendo alfabetizada. É importante fazer um diagnóstico precoce durante essa fase, evitando um futuro fracasso escolar.

Geralmente, as escolas possuem psicólogos ou psicopedagogos em seu corpo de funcionários, e uma vez que essas crianças sejam identificadas, elas são encaminhadas para uma avaliação.

Em seguida, os profissionais envolvidos tentam entender o que está acontecendo com a criança, pois o problema pode ser motivado por alguma causa emocional ou genética, além de outras possibilidades. Cabe salientar que, com tratamento, a vida escolar e acadêmica do indivíduo disléxico pode seguir normalmente.

Diagnóstico definitivo

O diagnóstico depende da avaliação de vários profissionais, como psicólogos, neuropsicólogos, psicopedagogos, neurologistas, oftalmologistas e psiquiatras. É necessário avaliar se o paciente apresenta alguma disfunção visual ou auditiva, desordem neurológica, ou alteração emotiva que tenha promovido o fracasso escolar. A constatação do problema depende da anamnese e coleta de dados relacionados ao histórico familiar.

Como tratar a dislexia

Depois de diagnosticar a dislexia é preciso mapear as dificuldades da criança a fim de se fazer intervenções específicas que possam ajudar a resolver o problema. Uma determinada criança pode, por exemplo, exibir uma dificuldade ortográfica caracterizada pela inversão de letras. Já outra pode apresentar dificuldades especificamente vinculadas a cálculos.

Há diversas técnicas e intervenções que podem ser feitas com o intuito de ajudar a criança disléxica, como as técnicas de neurofeedback, que são treinamentos voltados ao sistema nervoso. Alguns estudos apontam que as crianças disléxicas têm uma maior quantidade de ondas cerebrais lentas. Assim, normalmente recomenda-se uma tentativa de reprogramação do sistema nervoso central.

Também existem treinos fonoaudiológicos e treinos psicopedagógicos específicos. Ademais, existem algumas vitaminas que exercem efeito sobre as sinapses, gerando um sincronismo entre os hemisférios cerebrais.

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