Falsas Memórias: Mito ou Verdade? – Tudo Sobre

Memórias de coisas que nunca aconteceram

“Aconteceu… Eu estava lá…”.  Será mesmo? As falsas memórias, ou seja, as lembranças de ações que nunca ocorreram, podem ser tão vívidas quanto às memórias dos eventos realmente vivenciados pelo indivíduo. Portanto, o simples fato de uma memória ser vívida e ser descrita detalhadamente não é uma prova de que o evento gerador da memória ocorreu daquela forma.



Formação e recuperação das lembranças

Se as memórias recentes sobre coisas simples podem ser distorcidas sem que as pessoas percebam, o que pensar sobre lembranças distantes e relacionadas a coisas mais complexas?

Na década de 80, um crescente número de pessoas passou a misteriosamente se lembrar de terem sido abusadas sexualmente na infância. Uma coisa em comum de todos esses casos é que essas descobertas foram feitas com o auxílio de terapeutas que acreditavam estar auxiliando os pacientes a acessar memórias da infância reprimidas em seus inconscientes. Contudo, pesquisas de Elizabeth Loftus e outros psicólogos sobre falsas memórias e o poder da sugestão, mostraram que algo diferente poderia estar acontecendo nessas sessões de terapia.

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Em um dos estudos de Loftus, dois grupos de participantes assistiram o mesmo vídeo sobre um acidente entre dois carros. Depois, os pesquisadores perguntaram a um dos grupos: “que velocidade os carros estavam quando se esmagaram?”, e ao outro grupo: “que velocidade os carros estavam quando se tocaram?” O primeiro grupo relatou uma velocidade muito superior a informada pelo segundo. A simples mudança de um único termo na pergunta resultou em uma grande diferença nas memórias dos participantes, mesmo que ambos tenham assistido a exatamente o mesmo vídeo.

Em outros estudos, Loftus e seus colegas conseguiram colocar na mente nos participantes, por meio da sugestão, a falsa memória de que eles haviam se perdido em um shopping center quando crianças. Pesquisas sobre testemunhas oculares de crimes também mostraram que informações apresentadas depois do delito podiam distorcer bastante a memória dos participantes. Atualmente, em alguns países da época, a identificação de um acusado por uma testemunha ocular pode ser o suficiente para que alguém seja preso. Infelizmente, muitos inocentes já foram presos por conta disso.

Por meio de pesquisas como essas, Loftus demonstrou que era relativamente fácil mudar a memória que alguém tinha sobre detalhes de algo que havia acontecido. E então veio a grande questão: Se Loftus conseguia fazer isso com relativa facilidade em seus experimentos, por que o mesmo não poderia ser feito por terapeutas convictos de que haviam memórias reprimidas a serem descobertas?

Considerando as evidências desfavoráveis que foram descobertas sobre muitos casos de abuso sexual que vieram a tonas décadas depois de terem supostamente ocorrido, muitos deles poderiam ter sido produzidos por falsas memórias.

Memória recriada a partir de novas experiências

O poder da sugestão na recuperação de memórias não tem efeito somente em casos de abuso sexual, como também em relatos vinculados à abdução extraterrestre, fantasmas e assombrações, memórias de vidas passadas, entre outros. O Filme Regressão, de 2015, dirigido por Alejandro Amenábar e estrelado por Ethan Hawke e Emma Watson retrata muito bem esse tema.

A memória funciona muito bem na maioria dos casos, porém, ao mesmo tempo ela é muito vulnerável a sugestões e, assim, toda vez que uma pessoa tenta se lembrar de algo, ela não está apenas acessando um registro preciso sobre aquele fato ou evento, mas ela também poderá estar recriando e modificando detalhes de suas lembranças a partir de novas experiências, algo semelhante ao que ocorre com a brincadeira “telefone sem fio”.

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