Meditação: Técnicas, Como Fazer e Benefícios

Meditação e oração: práticas que alteram a estrutura de nosso cérebro

Na virada do século XIX, mesmo sem estarem amparados em qualquer evidência científica, alguns precursores do pensamento moderno já intuíam que nosso cérebro muda. Quanto a esse ponto, é possível fazer referência ao pai da psicologia moderna: William James.



Existe um artigo de revisão que compara os efeitos da prece e meditação sobre a fisiologia cerebral. Os estudiosos chegaram à conclusão que, do ponto de vista neuronal, prece e meditação exercem o mesmo efeito. A referida revisão apresenta uma infinidade de regiões cerebrais que são modificadas pelo simples ato de orar ou meditar.

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Portanto, trata-se do indivíduo exercendo comando sobre sua vida por meio do pensamento, e mudando sua estrutura cerebral. Há diversos estudos indicando que, em longo prazo, a meditação aumenta a espessura do córtex em várias regiões cerebrais relacionadas ao controle das emoções e do pensamento, em especial nas áreas sensoriais somática I e II, córtex pré-frontal (região vinculada à ética, valores morais e controle da impulsividade) e hipocampo (fundamental na consolidação da memória e controle emocional).

Orar e meditar: muito mais que simples atos ritualísticos

A região cerebral denomina córtex cingulado está relacionada à resolução de conflitos, regulação das emoções e comportamentos, funções executivas (capacidade de planejar, focar, priorizar) e à antecipação da recompensa, a qual remete à capacidade de aceitar um “sacrifício” no presente visando um benefício no futuro. Sem essa antecipação de recompensa, as pessoas não conseguiriam postergar sua satisfação para o futuro. Essa mesma região também está vinculada à empatia, que corresponde à capacidade do indivíduo em se colocar no lugar das outras pessoas. Por fim, o córtex cingulado está relacionado ao controle da frequência cardíaca e pressão arterial.

Experimento comprova: meditar nos faz pessoas melhores

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Um experimento avaliou prospectivamente pessoas que começaram a aprender meditação. Elas foram divididas em dois grupos, ambos realizaram um treinamento composto por 20 minutos diários de meditação ao longo de oito semanas. Foram efetuadas imagens funcionais dos participantes antes e depois do treinamento, a fim de verificar supostas alterações ocorridas no cérebro.

Os autores da experimentação concluíram que 11 horas de meditação distribuídas ao longo de oito semanas aumentaram a atividade do córtex cingulado, seja pela mudança da mielinização ou devido à organização dos neurônios. Portanto, orar e meditar não são apenas atos ritualísticos, mas também ações terapêuticas que exercem impacto significativo no funcionamento cerebral e, por extensão, sobre os demais sistemas correlacionados.

O presente ensaio demonstrou também que a meditação e a prece são capazes de reduzir a autoavaliação depreciativa automática. As pessoas deprimidas “falam mal” de si mesmas o tempo todo silenciosamente. O ato de meditar e orar diminui esse efeito.

Mais 9 benefícios da meditação e oração

1) Ampliação da massa cinzenta

Um estudo também comprovou que a meditação amplia a espessura da substância cinzenta, que é a parte mais nobre do tecido cerebral.

2) Diminuição do cortisol e melhora da qualidade do sono

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Segundo outro estudo, a meditação e a prece também diminuem a concentração do cortisol, hormônio do estresse, e ainda melhoram o padrão do sono. Não por acaso, muitas pessoas que dormem mal, também têm uma menor qualidade de vida e morrem mais cedo, exibindo maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares e ontológicas. Portanto, a meditação e prece melhoram a qualidade do sono.

3) Imunidade e controle da pressão arterial

A meditação melhora a imunidade e ajuda a controlar a pressão arterial.

4) Prevenção de recaídas de depressão grave

Já outro estudo aponta que a meditação é tão eficaz quanto drogas psicoativas na prevenção de recaídas de depressões mais graves. Os pesquisadores compararam um grupo que continuou usando medicação, enquanto o outro apenas meditava. O índice de recorrência de novas crises depressivas foi equivalente nos dois ajuntamentos. Ademais, quando necessário, ambos podem ser usados em conjunto.

5) Xô cigarro!

Existem estudos que apresentam benefícios da meditação quanto à interrupção do tabagismo.

6) Aumento da longevidade celular

Segundo a revisão de quatro estudos científicos, provavelmente a meditação aumenta a longevidade de todas as células do organismo. Isso ocorre mediante a ampliação da atividade de uma enzima chamada telomerase, fundamental para a sobrevivência das células.

7) Impulsividade, foco e humor

A meditação diminui a impulsividade e a reatividade, ajuda a estabelecer foco e melhora as variações de humor.

8) Amenização na compulsão de dependentes químicos às drogas

Dependentes químicos estão sempre com a fissura de se expor às drogas. Enquanto isso, a meditação ameniza essa compulsão, assim, ela é uma ferramenta promissora quanto ao tratamento da dependência química.

9) Recuperação mais rápida de depressões

Um estudo realizado em uma universidade do Rio Grande do Sul constatou que os pacientes deprimidos que manifestavam certa religiosidade se recuperavam mais rapidamente. Estes pacientes produzem uma maior concentração de uma substância chamada BDNF, importante para a recuperação cerebral. Assim, os pacientes foram avaliados antes e depois do tempo de internação. Os cientistas perceberam que os pacientes religiosos continham o recurso bioquímico BDNF em teores significativamente mais elevados que os não adeptos de práticas religiosas.

Em uma imagem clássica da região pré-central do cérebro é possível notar que a prática meditativa promove um aumento do fluxo sanguíneo. Curiosamente, a mesma região sofre um esfriamento funcional durante os transtornos depressivos. Logo, uma pessoa gravemente deprimida apresenta um funcionamento reduzido na região pré-frontal. Ao se fazer uma imagem funcional (um SPECT), essa região exibirá um fluxo sanguíneo bem menos intenso no momento de uma crise depressiva. Como a prece e a meditação ativam essa área, há diversos estudos demonstrando os benefícios proporcionados por essas práticas quanto à prevenção e tratamento dos transtornos de humor, como a depressão e a ansiedade.

Conclusões dos estudos sobre prece, meditação e práticas espirituais

Em suma, a prece e a meditação mudam o aprendizado, emoções e comportamentos, estrutura e funcionamento do cérebro, além de criar a possibilidade de se desenvolver um significado existencial para a vida. Existem inúmeros estudos de excelente qualidade que comprovam a influência da fé na melhora não só da saúde neuronal do paciente, mas também de sua saúde geral.

Assim, se antigamente as práticas espirituais eram consideradas apenas ações ritualísticas, atualmente elas passaram a ser encaradas como importantes ferramentas terapêuticas.

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