Perda de Memória: Principais Causas e Tratamentos

Tudo sobre perda de memória

Principais causas de lapso de memória

1) Amnésia

A amnésia é a perda ou falha da memória declarativa. Em casos mais graves, o problema pode afetar a memória procedimental, relacionada às habilidades motoras e automáticas. Logo, o indivíduo com amnésia pode se esquecer de fatos referentes às suas experiências pessoais. Existem dois tipos de amnésia, a anterógrada e a retrógrada.



Amnésia anterógrada

A amnésia anterógrada se refere à perda da habilidade de se criar novas memórias e absorver novas informações. Nesse caso, o indivíduo não se esquece do passado, mas de fatos recentes. Na fase inicial da doença de Alzheimer, por exemplo, a memória recente é bastante prejudicada. O portador da referida patologia pode, por exemplo, esquecer-se que acabou de realizar uma refeição. Em contrapartida, esse mesmo indivíduo pode ter memórias passadas solidificadas.

Amnésia retrógrada

A memória retrógrada consiste na incapacidade de se lembrar do passado.

Causas da amnésia

As principais causas da amnésia estão vinculadas à:

  • Depressão;
  • Demências, como Alzheimer e Parkinson;
  • Dependência crônica de álcool e cocaína;
  • Acidente Vascular Cerebral (AVC): déficit neurológico súbito causado por um problema que acomete os vasos sanguíneos do Sistema Nervoso Central;
  • Traumatismo Cranioencefálico (TCE): causado por alguma agressão, aceleração ou desaceleração de alta intensidade no cérebro e interior craniano.

2) Mal de Alzheimer

A doença de Alzheimer tem uma ligação estreita com o envelhecimento. Atualmente, sabe-se que quanto mais idosa for a população de um país, mais prevalente será a doença. Contudo, é importante ressaltar que nem todo idoso que por ventura comece a apresentar perda de memória, é portador do Mal de Alzheimer. Existem outras causas que podem gerar esses lapsos de memória, como depressão, hipotireoidismo e anemia. Muitas vezes o fator responsável pelo problema pode ser tratado de forma mais simples, diferentemente do que ocorre com Alzheimer e outras patologias mais graves.

Diferentes níveis da doença

Geralmente os acompanhantes de pacientes com Alzheimer têm muitas dúvidas sobre as atividades que ainda podem ser efetuadas pelo indivíduo diagnosticado com a doença. Surgem incertezas quanto à capacidade do paciente dirigir um veículo ou gerir a própria conta bancária, por exemplo.

Em uma fase leve e inicial da doença, o portador do Alzheimer pode ser plenamente capaz de lidar com o próprio dinheiro, efetuar compras e sair de casa. No entanto, quando o problema atinge níveis mais graves, o indivíduo pode, por exemplo, perder a capacidade de se orientar em ambientes externos.

Não há uma regra a ser seguida por todos os pacientes de Alzheimer. Desse modo, as orientações devem ser individuais. Além disso, a prática regular de atividade física somada a um relacionamento interpessoal saudável parece influenciar positivamente no retardo da doença.

Apesar do comprometimento da memória e de outras funções intelectuais, em grande parte dos casos o paciente ainda pode apresentar um bom desempenho na execução de tarefas sociais.

Diagnóstico

Ressonância Magnética

A ressonância magnética pode demonstrar a redução do cérebro em alguns locais específicos, podendo representar um sinal indireto da doença de Alzheimer.

Spect cerebral

Embora efetuado apenas durante as pesquisas de hospitais-escola, o exame de spect cerebral também é uma abordagem interessante, pois apresenta um padrão típico.

Medicamentos para Alzheimer

A doença de Alzheimer deve ser tratada o mais precocemente possível. Os medicamentos recentes para o tratamento da patologia retardam a evolução dos sintomas. Esses remédios são incapazes de curar o Alzheimer, mas a introdução precoce ajuda a combater a progressão da doença. Dessa forma, um paciente que poderia ter uma rápida deterioração de suas funções cognitivas e intelectuais pode retardar esse processo de piora. Com isso, o indivíduo poderá manter uma convivência saudável com os familiares por muitos anos, algo prazeroso para o paciente e às pessoas próximas a ele.

3) Outras possíveis causas do esquecimento

pessoa-esquecida

Dentre outras causas que podem provocar esquecimento e que devem ser investigadas estão a carência de vitaminas, como B12 e ácido fólico (vitamina B6), distúrbios renais ou hepáticos, e concentrações divergentes de cálcio.

Os distúrbios psiquiátricos também devem ser considerados, uma vez que a depressão é um problema comum. O médico deve ser capaz de relacionar um determinado esquecimento à uma síndrome depressiva, caracterizada também pelo desânimo, melancolia, alterações no sono, mudanças dos hábitos alimentares, e agressividade.

Como proteger o cérebro ao longo dos anos

Muitas pessoas costumam ter dúvidas com relação à existência de algum medicamento ou comportamento capaz de propiciar um envelhecimento físico saudável, mantendo a vitalidade da função intelectual. Na verdade, a melhor forma de preservar a saúde mental é cultivar bons hábitos de vida.

Em outras palavras, o indivíduo deve se alimentar corretamente, praticar exercícios físicos de forma regular e, sobretudo, estimular a mente. Com relação ao último ponto, não é necessário realizar nada extravagante, basta manter-se ocupado com a realização de atividades interessantes, como a leitura de livros e conversas sobre temas que exijam algum raciocínio.

Ao chegar na terceira idade, as pessoas que possuem maior escolaridade estão mais protegidas contra o Alzheimer e outras doenças. Isso se deve ao fato dessas pessoas terem desempenhado mais atividades intelectualmente ativas.

Atualmente, fala-se muito em exercitar o corpo e cuidar da parte estética, mas o cérebro não pode ser esquecido. O tédio e a rotina podem ser fatores prejudiciais. Sem o “alimento” proporcionado pela vivência, o cérebro acaba apresentando cada vez mais dificuldades cognitivas relacionadas à atenção, concentração e memória, portanto, ele deve ser “alimentado” continuamente.

Alimentação adequada

Com relação à alimentação, a dieta mediterrânea, rica em azeite, verduras e peixes, também evidenciou certa influência quanto à desaceleração de doenças neurológicas que possam levar à perda de memória.

Atividades mentais

jogar-xadrez

O hábito de ler e efetuar diversas outras atividades que exigem raciocínio, como xadrez, dama, jogos de quebra-cabeças, jogos de memória, criptogramas, sudoku, jogo dos 7 erros, caça-palavras, entre outros, proporcionam benefícios ao cérebro comprovados cientificamente. Nesse sentido, até mesmo debater assuntos com colegas é um hábito muito importante. Todas essas atividades são formas de passar o tempo e exercitar a mente.

É extremamente importante que indivíduos com Mal de Alzheimer continuem ativos intelectualmente. No entanto, esse estímulo não deve saturar a paciência do paciente. Muitas vezes, o excesso de pressão exercido por alguns familiares sobre o portador da doença pode torná-lo refratário com relação ao convívio com essas pessoas.

Convívio social

idoso-com-o-neto

Outro aspecto importante diz respeito ao convívio social. Assim, o ideal é que o idoso seja mantido sempre próximo à sua família, ou seja, tenha contato com seus netos e filhos. O indivíduo deve sair para jantar, frequentar o cinema, se manter sexualmente ativo, e realizar outras atividades que também fazia quando jovem e ainda estejam dentro de sua capacidade física.

O convívio social sempre deve ser estimulado, pois diante de uma dificuldade, o idoso poderá usar o cérebro alheio para lhe ajudar. Nesse contexto, enquanto o jovem pode contribuir com relação à memória, o idoso tem experiência de vida à compartilhar.

Atividades físicas

Estudos recentes demonstraram que, por aumentar a oxigenação cerebral, a atividade física pode favorecer o retardo dos sinais de esquecimento que acometem os idosos. Assim, pacientes que possuem, por exemplo, Mal de Alzheimer, tendem a melhorar muito quando praticam exercícios físicos de forma regular, diminuindo sua ansiedade, aprimorando a qualidade de seu sono e liberando fator de crescimento neuronal. Diversas atividades podem ser adotadas, como exercícios aquáticos e aeróbicos.

Contato com a tecnologia

O idoso não deve se afastar da tecnologia, e sim ter contato com computadores, tablete, entre outros dispositivos, mas é claro, tudo sem exageros. Ademais, convém facilitar a utilização desses equipamentos pelos idosos por meio do uso de telas e fontes maiores, além da criação de atalhos. Assim, o idoso poderá aproveitar a tecnologia para trocar e-mails, ler notícias, acompanhar blogs, e seguir pessoas que admira. Nesse momento, costuma haver uma interação e troca de conhecimento interessante entre os mais jovens e os mais velhos.

A tecnologia é importante porque favorece a atividade intelectual progressiva, porém, ela não se resume à internet, já que até mesmo videogames podem produzir bons resultados. No caso dos portadores de Parkinson, podem ser obtidos incríveis benefícios mediante a prática de jogos de realidade virtual, nos quais o jogador controla o personagem através de movimentos executados pelo seu próprio corpo, e dessa forma, o idoso pode apresentar um ótimo ganho em sua mobilidade. Esse progresso se torna ainda mais consistente quando acompanhado da terapia ocupacional.

Demais atividades cotidianas

O idoso também pode desempenhar trabalhos remunerados ou voluntários. Outra ideia consiste em fazer um curso de pintura ou artesanato. O importante é criar mecanismos que envolvam o cérebro e a parte motora em atividades que mantenham o indivíduo ativo.

Neuroplasticidade

A neuroplasticidade é um tema muito em voga, tratado inclusive por revistas genéricas. Atualmente, tem-se a ideia de que o neurônio é incapaz de se autorregenerar após sua morte. No caso do fígado, por exemplo, as células mortas conseguem se regenerar, o que não ocorre com aquelas que compõem o tecido nervoso. É por essa razão que um acidente vascular cerebral ou uma lesão equivalente, costuma ser irreversível, causando sequelas neurológicas.

No entanto, a neuroplasticidade defende a teoria de que o sistema nervoso é capaz de refazer conexões. Essas reestruturações podem ser comparadas às vias urbanas, pois é como se caminhos alternativos fossem criados. Apesar das novas vias de acesso não possuírem o mesmo desempenho neurológico, é possível que, por meio de um treinamento adequado, o sistema nervoso reconstitua funções perdidas.

Artigo relacionado: saiba mais sobre a plasticidade cerebral.

Com frequência, essa reconstituição é incompleta, mas ela pode ser suficiente para recuperar, por exemplo, uma função específica deteriorada em virtude da lesão neurológica sofrida. Cabe salientar que, nos casos mais graves, a neuroplasticidade terá uma ação limitada. Mesmo assim, trata-se de um conceito bastante interessante e usado constantemente no processo de reabilitação a fim de promover melhora na qualidade de vida dos pacientes.

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