Ritalina: Como Funciona e Efeitos Colaterais – Guia Definitivo

Ritalina: a pílula da inteligência?

Devido à pressão midiática exercida pela busca incondicional do sucesso, a utilização de medicamentos e fármacos que auxiliam na potencialização do funcionamento do cérebro tem se tornado cada vez mais frequente.



O filme “Sem Limites”, de 2011, com o ator Bradley Cooper, conta a história de um escritor fracassado que toma uma “pílula da inteligência”, ainda em fase de testes. Com isso, ele potencializa o funcionamento de seu cérebro, tornando-se mais inteligente e permitindo aflorar vários conhecimentos que ele nem sabia que existiam dentro de sua mente. Assim, o escritor se transforma em uma pessoa de sucesso, chegando até o cargo de senador dos Estados Unidos.

Essas pílulas realmente existem?

Para entender um pouco mais sobre essas drogas, primeiramente é preciso, primeiramente saber como funciona a construção do processo de memória no cérebro.

De forma bem resumida, nos neurônios há uma molécula chamada AMP cíclica, responsável por ativar a produção de uma proteína chamada CREB, que aumentam as sinapses e ativam o funcionamento de vários genes neuronais, os quais engatilham mais produção de proteína CREB. Com isso, tem-se formado o processo de memorização de longo prazo.

A formação da memória no cérebro é um processo bioquímico. Logo, é óbvio que a indústria farmacêutica pode atuar nele. Muitas substâncias estão sendo estudadas e testadas com a promessa de melhorar a capacidade intelectual humana. Elas são chamadas de “viagra para o cérebro”.

Atualmente, o que se tem disponível no mercado são medicamentos que foram concebidos para tratar alguns distúrbios neurológicos. Porém, ao serem consumidos por indivíduos que não possuem esses transtornos mentais, supostamente esses remédios poderiam, por exemplo, agir como ativadores de partes do cérebro, ou ainda potencializar o funcionamento cerebral.

Ritalina para estudar

ritalina-metilfenidato

O mais famoso desses medicamentos é o Metilfenidato, popularmente conhecido como Ritalina, destinado a tratar pessoas que sofrem de narcolepsia (distúrbio que faz dormir subitamente) e TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade).

Porém, o problema é que, atualmente a Ritalina tem sido comercializada com intuito de aumentar o poder de concentração de pessoas que não têm déficit de atenção e nem sofrem de hiperatividade. Um estudo mostrou que 88% das pessoas normais que utilizam Ritalina, apresentam, de fato, uma ampliação da capacidade de concentração durante os estudos.

Basicamente, isso acontece porque a Ritalina amplifica a quantidade de dopamina e noradrenalina em várias partes do cérebro, permitindo que muitos estudantes fiquem debruçados por várias horas sobre os livros sem se sentirem cansados ou com sono, mantendo-se extremamente focados sobre o conteúdo que estiverem estudando.

Efeitos colaterais da Ritalina

O problema é que muitos estudantes acham a Ritalina tão eficaz que começam a utilizá-la frequentemente (uso crônico). Ocorre que ainda não foi estudado o que esse consumo exagerado pode gerar no cérebro das pessoas. É por isso que essa ingestão pode ser perigosa.

Muitas pessoas alegam que só pretendem tomar Ritalina quando tiverem muito conteúdo para estudar e em meio a uma situação caótica. Porém, na verdade, os estudantes sabem que eles passam por vários momentos de caos, o desespero bate à porta o tempo todo, o que faz com que eles tomem Ritalina praticamente quase toda semana.

Além disso, estudos comprovam que a Ritalina altera outros tipos de memória do cérebro, como a espacial. Essas mudanças são negativas. Ademais, o composto gera irritabilidade, pode causar ansiedade e é uma droga que altera o comportamento do indivíduo.

Provigil (Modafinil)

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Outra droga que vem sendo cada vez mais utilizado é o Modafinil, popularmente conhecido como Provigil, criado para tratar a narcolepsia. Observou-se que pessoas “normais” que fazem uso do Provigil também têm sua capacidade intelectual alterada, já que a droga aumenta o poder de concentração.

Na verdade, o Provigil é uma Ritalina melhorada, já que seus efeitos são mais duradouros. Enquanto a Ritalina apresenta meia-vida de 4 horas, o Provigil pode atuar por até 24 horas.

Efeitos colaterais do Provigil

O problema é que o Provigil provoca muitos efeitos colaterais, como a síndrome de Stevens-Johnson, que causa erupções cutâneas que podem, inclusive, levar o usuário à morte, principalmente crianças. Além disso, foi observado em alguns pacientes o desenvolvimento de alucinações, irritabilidade e pensamentos suicidas. Basta imaginar o efeito catastrófico do medicamento em uma pessoa que tenha depressão e o tome visando melhorar sua capacidade intelectual.

Ademais, em um estudo que comparou um grupo de pacientes que tomou Provigil e outro que consumiu 600 mg de cafeína, constatou-se que ambos os indivíduos mantiveram a mesma capacidade de concentração. Em outras palavras, entre tomar seis xícaras de café e se dopar com o referido medicamento, é preferível continuar com o bom e velho cafezinho.

Eranz (Donepezil)

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A terceira droga muito consumida pelos estudantes é o Donepezil, conhecido como Eranz, medicamento feito para o tratamento do Mal de Alzheimer. Novamente, foi verificado que em pessoas saudáveis o composto também aumenta a capacidade cognitiva. Das drogas elencadas, o Donepezil é aquela que apresenta menos efeitos colaterais, além de fornecer as melhores condições de concentração para os estudantes.

Atuação das drogas no cérebro humano

Não existem estudos que demonstram como as três drogas apresentadas agem no cérebro humano em longo prazo. Nada impede que, por ter feito uso dessas drogas, no futuro o usuário desenvolva problemas como Mal de Parkinson, Alzheimer, depressão, síndrome do pânico, ansiedade excessiva e irritabilidade. Logo, ao tentar melhorar sua capacidade de concentração o usuário acaba se tornando uma cobaia da indústria farmacêutica.

Além disso, embora essas medicações recebam o nome de “drogas da inteligência”, elas apenas aumentam a capacidade de concentração, permitindo que o indivíduo tenha disposição e energia para continuar estudando por longas horas. Não se deve imaginar que, por consumir essas drogas, será possível lançar raios laser pelos olhos, inventar novas fórmulas de física ou resolver cálculos matemáticos extremamente difíceis. Assim, elas não deixam ninguém mais inteligente.

Drogas naturais com efeito estimulante

Uma alternativa aos fármacos são as drogas naturais comercializadas livremente e que também melhoram a capacidade de concentração e inibem o sono. Às vezes, o efeito dos produtos naturais até supera aquele propiciado pelos compostos industrializados citados anteriormente.

Pó de guaraná

Para ter um bom efeito do guaraná em pó, deve-se consumir cerca de 75 mg dele por dia. O pó de guaraná diminui o sono, deixa o estudante mais focado e disposto. Todavia, se consumido diariamente, ele acabará não produzindo mais o efeito ao qual se propõe. Isso acontece por uma simples razão: em um determinado momento, as células se tornam saturadas de guaraná, e a partir daí não adianta continuar tomando o produto, pois o excesso de guaraná acaba sendo eliminado pela urina sem proporcionar benefício algum.

Por isso, o guaraná em pó (ou em comprimido) só deve ser consumido quando for realmente necessário, como durante as semanas das provas, que são bastante estressantes.

Energético x café

Talvez nem todas as pessoas saibam, mas a venda de bebidas energéticas é proibida em vários países da Europa. O primeiro motivo é o excesso de açúcar. Para se ter ideia, se o líquido da bebida for totalmente removido, metade da lata será preenchida por açúcar. Logo, os energéticos são uma “bomba” para o pâncreas.

Por essa razão, é preferível tomar café. Se o indivíduo tomar cerca de 400 mg de café por dia, o que é já uma dose bastante elevada, ele conseguirá ter bastante disposição e seus neurônios conseguirão funcionar a todo vapor.

Contudo, assim como no caso do guaraná, o uso crônico do café também impede a obtenção dos benefícios propostos, que consiste em deixar o corpo mais desperto. Além disso, se um consumidor assíduo de café interromper a ingestão da bebida, ele poderá exibir efeitos colaterais, como dor de cabeça e irritabilidade. Essas reações se devem ao fato de seu organismo estar dependente da cafeína.

Logo, a dica é tomar café somente durante os períodos críticos, caracterizados pelo estudo noturno voltado para muitas provas, conclusão de dissertações ou teses etc.

Soluções naturais para turbinar o cérebro

Alimentação balanceada e prática regular de exercícios físicos

Um cérebro bem nutrido funciona melhor. Já uma alimentação restrita a carboidratos e proteínas e sem a ingestão de vitaminas, compromete o pleno funcionamento cerebral. As pessoas devem priorizar o consumo de alimentos ricos em zinco, pois alguns estudos mostram que uma baixa quantidade desse nutriente no corpo prejudica os processos cognitivos. Ademais, o exercício físico, principalmente o aeróbico, também melhora a capacidade intelectual.

Super suco da memória

Misture suco de laranja com framboesa, morango, mirtilo, amora, um pouco de iogurte desnatado e bata tudo no liquidificador. Esse é o super suco da memória, que pode ser consumido diariamente, e após duas semanas, poderá refletir numa sensível melhora da memória e capacidade intelectual. Mas não espere virar o novo Einstein!

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