TDAH: Sintomas e Tratamento – Guia Definitivo

TDAH: o que é?

O TDAH é um transtorno que pode afetar o desenvolvimento e o engajamento das pessoas em quaisquer momentos de suas vidas, e apesar de normalmente descoberto na infância, existem muitos adolescentes e adultos que são diagnosticados tardiamente.



Até pouco tempo, muitas pessoas acreditavam que o TDAH ocorria somente na infância e adolescência. Hoje se sabe que isso não é verdade, já que 3% dos adultos apresentam TDAH. Mesmo assim, trata-se de um transtorno predominantemente presente nas fases iniciais da vida. 95% das pessoas que têm TDAH começaram a manifestar sintomas do distúrbio antes dos 16 anos de idade. Enquanto isso, 50% das pessoas com TDAH começaram a exibir os sintomas antes dos 7 anos.

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TDAH: Sintomas

TDAH na infância

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O DSM-5, que é um manual de transtornos mentais, define o TDAH como um transtorno de desenvolvimento. Na infância, o TDAH pode acarretar sérios problemas quanto à aprendizagem nos primeiros anos de vida. Trata-se de crianças que apresentam muita dificuldade em se apropriar da aprendizagem da leitura, escrita e matemática. Assim, elas podem apresentar, por exemplo, atrasos motores e de linguagem, além de dificuldades de autocontrole para o cumprimento de tarefas que exijam regras, rotinas, planejamento prévio e prazos.

Logo, esses jovens demonstram muita dificuldade para se concentrar por períodos extensos em atividades que exijam planejamento e sequenciamento de longo prazo, além de não prestar muita atenção ao que lhes é dito, assim, se o discurso for ligeiramente longo ou monótono, eles tendem a memorizar apenas algumas partes dele.

TDAH na adolescência

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Na adolescência, normalmente os jovens com TDAH ou sofrem muito bullying, por conta de sua timidez e desatenção, ou se forem mais hiperativos, eles próprios cometem bullying.

No geral, o adolescente com TDAH exibe um perfil relaxado e que não cumpre regras ou rotinas. São jovens que sentem muita dificuldade em se comprometer com atividades do cotidiano. Por isso, seus pais precisam repetir as mesmas instruções todos os dias e relembrar as mesmas rotinas.

TDAH na fase adulta

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Muitas vezes esses jovens chegam à fase adulta com baixa autoestima e sem terem atingido alguns objetivos básicos durante sua adolescência, principalmente relacionados ao convívio social e no campo profissional e acadêmico. Logo, muitos deles costumam chegar com depressão aos consultórios, culpando-se, se questionando sobre o motivo de serem incapazes de cumprir tarefas básicas, por que se esquecem das coisas, por que deixam os objetos em qualquer lugar, e por que ao começar uma atividade logo perdem a motivação.

O TDAH é um transtorno que permeia todas as fases da vida, e pode provocar provoca problemas de relacionamento social, auto-engajamento para realização de atividades do cotidiano, e profundas complicações quanto à evolução acadêmica. Sabe-se que o indivíduo com TDAH tem 8 vezes menos chance de obter um diploma universitário, sendo muito propenso a abandonar a faculdade.

Comorbidades associadas ao TDAH

De 60% a 70% dos pacientes com TDAH apresentam alguma comorbidade associada ao problema, dentre elas a enurese e a encoprese.

Características da enurese

A enurese é um distúrbio esfincteriano. Trata-se de um transtorno que leva a criança a demorar mais tempo para aprender a segurar o xixi enquanto dorme ou durante o dia antes de ir ao banheiro. Logo, essas crianças não conseguem urinar no momento “certo”, usando os locais adequados.

Geralmente, o problema ocorre por dois motivos. O primeiro é uma possível imaturidade excessiva do ponto de vista neurológico. O transtorno também pode acontecer devido a fatores psicológicos. No segundo caso, trata-se de uma criança que já aprendeu a usar o banheiro e, portanto, não urina mais na roupa e nem durante o sono, todavia, por algum motivo emocional ou desestabilização na família, ela continuamente urina na cama e em suas roupas.

Características da encoprese

É normal que a criança apresente problemas de adaptação ao banheiro e ao abandono das fraldas até os 4 ou 5 anos de idade. É exatamente nesse ponto que entra o TDAH. A encoprese está relacionada ao cocô. Assim, crianças com encoprese demoram mais tempo para assimilar os processos de liberação das fezes em locais e momentos adequados.

Imaturidade da criança com TDAH

A enurese e a encoprese ocorrem porque as crianças com TDAH são extremamente imaturas, e seus centros cerebrais mais próximos às áreas de controle do xixi e do cocô demoram mais tempo para amadurecerem.

Além do mais, crianças com TDAH exibem muita dificuldade de se organizar, planejar, antecipar-se aos eventos, e de interromper atividades que lhes sejam extremamente prazerosas.

Crianças com TDAH têm mais dificuldade de aprender tudo o que for rotineiro. Elas demoram mais para memorizar, automatizar as tarefas do cotidiano, e para perceberem as transformações que ocorrem em seu organismo. Portanto, os adultos não devem ficar bravos com essas crianças, que jamais merecem apanhar ou ficarem de castigo.

TDAH: Tratamento

Normalmente há uma significativa melhora obtida por meio do tratamento medicamentoso. Logo, não deve haver nenhum preconceito por parte dos pais com relação a tratar seu filho com determinado medicamento. Porém, alguns indivíduos com déficit de atenção e hiperatividade irão precisar apenas de terapia. Assim, cada caso deve ser analisado individualmente.

Tratamento medicamento para o TDAH

Para estas crianças, a medicação pode ser necessária até certo ponto do tratamento. Além disso, os remédios não só diminui a probabilidade da ocorrência de danos físicos, como do fracasso escolar ou a prevalência de outras doenças que podem se somar ao problema.

Ademais, sem o devido tratamento, o TDAH pode causar um impacto social muito importante. Existem evidências científicas de que indivíduos hiperativos não tratados podem apresentar um nível de delinquência mais intenso, além de maior probabilidade de fracasso escolar, uso de drogas, desistência de emprego e divórcio.

Na verdade, não há um único tipo de medicação para o TDAH. Assim, esse distúrbio não deve ser necessariamente tratado exclusivamente com Metilfenidato, já que existem outras medicações que também são estimulantes do sistema nervoso central, agindo no mesmo eixo neurológico (eixo da dopamina).

Existem, por exemplo, os remédios anti-hipertensivos que podem ser usados por exercer um efeito regulador sobre a adrenalina, como a Clonidina. Teoricamente, essa medicação não interfere na pressão arterial e, ao mesmo tempo, faz com que a hiperatividade diminua.

Como o Metilfenidato age no cérebro de uma criança

O Metilfenidato, princípio ativo da Ritalina, age exatamente sobre o principal eixo cerebral da atenção, que é o mesmo da dopamina. Trata-se de uma medicação que não gera acúmulo no organismo, assim, cerca de 4 a 6 horas depois de ser absorvido, 98% dele é liberado através da urina, sem ser metabolizado por nenhuma substância do corpo.

Metilfenidato e drogadição

A criança só deve utilizar a medicação nos dias em que tiver aula. Logo, o remédio não deve ser consumido nos demais dias. Isso permite ao médico estabelecer um prazo mais longo durante o qual a criança precisará estar medicada.

O Metilfenidato é um substrato da anfetamina, mas é como se ele fosse um primo bastante distante, já que a família das anfetaminas é muito grande. A descoberta do Metilfenidato foi parecida com a do Viagra, medicação desenvolvida inicialmente para tratar a hipertensão. Entretanto, durante as entrevistas feitas com os pacientes que utilizaram a medicação, os pesquisadores notaram a manifestação de outros efeitos.

No caso do Metilfenidato, o intuito era encontrar uma nova medicação para a asma, e não um medicamento para o tratamento do TDAH. Os cientistas fizeram estudos com benzedrina inalatória, que é uma poderosa anfetamina, e notaram que embora a asma quase não fosse amenizada, muitas crianças haviam apresentado uma melhora importante quanto ao seu rendimento escolar. Foi a partir daí que surgiram os estudos de estimulantes do sistema nervoso central para tratar o TDAH.

Por meio do tratamento medicamentoso é possível melhorar o funcionamento da via dopaminésica, em contrapartida, se não feita nenhuma intervenção, essa via continuará mal regulada. Nesta condição, se o paciente usar alguma substância ilícita, ele poderá involuntariamente levá-la para o interior daquela via. Isso fará com que ele tenha maior propensão a usar essa substância novamente, o que poderá culminar no vício.

Metilfenidato e dependência psíquica

Caso usado incorretamente, o que por sinal tem acontecido com frequência, o Metilfenidato pode causar dependência psíquica. Ademais, existem alterações cardíacas importantes ligadas ao uso abusivo dessa medicação. Porém, contanto que seja usado com uma dosagem adequada e em crianças diagnosticadas com TDAH, o Metilfenidato não causa dependência.

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