Tipos de Memória e Para que Servem – Guia Definitivo

Tipos de memória

A memória pode ser dividida em dois grandes grupos, definidos a partir dos pontos de vista funcional e temporal. Na organização funcional, as memórias podem ser classificadas como explícita e implícita. Já do ponto de vista temporal, a memória pode ser classificada como operacional e de longo prazo.



Memória de longa duração

A memória de longa duração estabelece traços duradouros que podem durar dias, semanas ou anos. As características das memórias declarativa e não declarativa estão correlacionadas à de longa duração.

Memória declarativa ou explícita

A memória explícita, também conhecida como memória declarativa, diferencia o ser humano do restante dos animais, os quais não a possuem. Trata-se de uma memória autobiográfica e relacionada aos fatos, e dessa forma, armazena todos os eventos vivenciados pelo indivíduo ao longo de sua vida.

A primeira forma de realmente guardar um dado é transportá-lo para o lobo temporal medial, na qual está presente a memória declarativa. Para que isso ocorra, é necessário que o dado em questão seja memorizado várias vezes. A memorização de um número, por exemplo, exige que ele seja repetido por cerca de 11 vezes ou mais.

Essa memória é dividida em memória episódica e memória semântica. A primeira se refere à recordação de um episódio temporal, como a lembrança de um determinado número. Já a memória semântica trata de recordações generalizadas, ou seja, não específicas.

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Memória episódica ou emocional

A memória episódica é individual. Trata-se da recordação que uma pessoa tem de um determinado evento. Logo, ela difere de um indivíduo para o outro.

Como as memórias episódicas são formadas

Para que essas memórias sejam formadas, ocorrem várias etapas. A primeira delas é a codificação, um processo que ocorre no cérebro sempre que se forma uma memória episódica. A segunda etapa é a consolidação, que corresponde à gravação da memória em longo prazo.

Acredita-se que a emoção desempenha um papel fundamental na formação da memória episódica. Exemplo: O dia 11 de setembro remete ao dia em que houve o atentado terrorista sobre as chamadas “torres gêmeas”. Como esse evento gerou uma repercussão emocional muito grande, a recordação da data à torna mais clara na mente das pessoas. Com isso, elas podem se lembrar, por exemplo, onde estavam exatamente no momento da tragédia. Nesse estado, os batimentos cardíacos, a temperatura corporal e a pressão arterial entram em ação, possibilitando que o indivíduo consiga reviver a mesma emoção sentida naquele momento.

Outro exemplo de memória episódica pode estar ligada ao companheiro de quarto durante o primeiro ano da faculdade. Quem morou, por exemplo, numa república de estudantes, pode se recordar de muita coisa que passou ali pelo fato daquele ter sido o primeiro ano da faculdade, que na maioria dos casos, representa uma mudança de vida significativa das pessoas. Todos esses detalhes marcam o indivíduo emocionalmente, e consequentemente, esses episódios tendem a ser lembrados de uma forma mais nítida.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado ao primeiro dia de um funcionário em um novo emprego, já que o novato passa a ter expectativas com relação ao seu chefe, companheiros de trabalho, a função a ser exercida e sua carreira na empresa. Portanto, definitivamente a emoção exerce um papel importante na memória episódica, já que esta passa a se consolidar na memória de longo prazo.

O que pode afetar a memória episódica

A memória episódica pode ser afetada por determinados traumas, como a hidrocefalia, caracterizada pelo acúmulo de líquido no interior do crânio, além de tumores, doenças metabólicas (deficiência de vitamina B1, que desenvolve um importante papel no sistema nervoso, músculos, coração e, consequentemente, na memória) e doenças neurológicas, como o Mal de Alzheimer.

Memória semântica

A memória semântica é constituída por informações de contexto determinado. Trata-se de uma memória de longo prazo, não associada à emoção e que processa ideias e conceitos que aprendemos ao longo de nossa vida e não são derivados de experiências pessoais. Por exemplo, imagine que, enquanto criança, alguém tenha lhe dito que a grama é verde.

Tanto a memória semântica quanto a episódica estão associadas às regiões corticais, ou seja, às áreas pré-frontal (parte da frente) e entorrinal do cérebro (região que dá origem ao principal sistema fibroso e neural do hipocampo). O hipocampo é a principal sede da memória e está localizado no topo do tronco encefálico.

Memória não-declarativa ou implícita

Essa memória contém informações de acesso inconsciente, ou seja, relacionados a habilidades e procedimentos automáticos, como capacidade de dirigir, jogar futebol, andar de bicicleta ou efetuar um nó no cadarço do sapato. Todos esses procedimentos ficam armazenados na memória não-declarativa, ou seja, no inconsciente.

Assim como a memória episódica e a semântica, a não-declarativa também abrange as regiões corticais, e como ela está profundamente associada a habilidades automáticas, o cerebelo acaba ganhando um papel de destaque, já que é ele o responsável pelos movimentos e habilidades motoras.

Normalmente, a memória autobiográfica é complementada pela implícita. Assim, além da memória automática, a memória implícita também tem um aspecto emocional.

Enquanto a memória explícita fica armazenada no lobo temporal, a implícita se localiza nos gânglios da base. Como são locais diferentes do cérebro, normalmente as pessoas se esquecem dos respectivos eventos tratados por essas memórias em momentos distintos.

Memória operacional (ou de trabalho ou de curta curação)

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Se, por exemplo, você acabar de ouvir o número de um telefone, após poucos segundos poderá não mais conseguir se lembrar de parte dele. Isso acontece porque a memória de curta duração é limitada e temporária.

Para que uma memória de curta duração se torne permanente e sólida, é necessário que haja atenção por parte do indivíduo, além de repetições e estabelecimento de associações. Desse modo, se uma sequência numérica for dita e o interlocutor estiver distraído ou não houver repetição, essa memória terá grandes chances de ser apagada em alguns minutos ou horas. Consequentemente, informações simples podem ser lembradas e esquecidas com facilidade.

Através de um mecanismo ainda desconhecido, pode ser possível se lembrar subitamente de fatos tido como esquecidos, como números de telefones.

É praticamente impossível desvincular a memória operacional de dois processos: consciência e atenção. O simples ato de atender a um pedido, como buscar um copo d’água, está ligado à memória operacional. Portanto, ela é imprescindível para que o indivíduo consiga realizar suas atividades cotidianas.

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