Traumatismo Craniano: Causas, Sintomas e Tratamento

Traumatismo craniano: tudo sobre

O espaço entre a caixa craniana e o cérebro é preenchido pelas meninges e pelo líquor. Qualquer movimentação brusca pode resultar em movimento. O traumatismo craniano pode ser causado por qualquer força externa suficiente para ocasionar danos no cérebro. As lesões podem ser transitórias ou definitivas. Assim, uma fratura óssea pode acabar atingindo o cérebro. Além disso, há o risco de perda de parte da massa encefálica.



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Principais causas do traumatismo craniano

Acidentes de trânsito

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O trauma craniano é a principal causa de morte na população jovem. No Brasil, anualmente morrem cerca de 44 mil jovens devido a acidentes de trânsito, que por sinal também são os principais responsáveis pelos casos de traumatismo craniano. Além dos acidentes fatais, muitas vezes as pessoas sofrem lesões cerebrais que deixam sequelas.

Os traumas oriundos dos acidentes de trânsito ocorrem principalmente devido ao não uso do cinto de segurança e, no caso das motos, do capacete. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), quando não está com cinto de segurança, o indivíduo tem até 80 vezes mais chances de se ferir, ficar deficiente ou até mesmo falecer durante um acidente. Isso demonstra o quão importante é o uso do cinto de segurança, tanto por parte do motorista, como pelos demais ocupantes do veículo, estejam eles ao lado do condutor do veículo ou no banco traseiro.

Se uma pessoa estiver dentro de um veículo em alta velocidade (mesmo que ela seja permitida naquele trecho) e se chocar contra alguma estrutura, mesmo com toda a proteção existente, a colisão poderá fazer com que o cérebro se movimente e seja acometido por alguma lesão.

Se as pessoas tivessem a oportunidade de acompanhar a rotina de uma noite de atendimento em um pronto-socorro, elas perceberiam que a maioria das histórias se repete: pessoas jovens que vão à festas, bebem e se acidentam. Por mais que a informação relacionada ao risco de se sofrer um acidente como esse seja continuamente propagada, essa incidência permanece.

Quedas na terceira idade

Na população idosa, a queda é algo muito comum. Muitos idosos apresentam certa dificuldade de locomoção, e às vezes o próprio onde lugar onde vivem não está preparado para recebê-los. Por essa razão, têm sido muito comum casos de traumatismos cranianos envolvendo quedas em idosos.

Vale salientar que, na terceira idade, uma pequena queda pode acarretar num trauma craniano, mesmo que não haja perfuração do crânio. Conforme o corpo envelhece, o cérebro atrofia, e assim, uma mínima pancada na cabeça do idoso poderá ser o suficiente para causar um sangramento que formará um hematoma (coágulo) subdural, que é um acúmulo de sangue situado entre o crânio e o cérebro.

Traumatismo craniano: sintomas

Geralmente, os problemas relacionados ao trauma se manifestam próximos ao evento. No caso dos idosos, alguns hematomas crônicos podem se manifestar após cerca de 30 dias. Contudo, não há nenhuma evidência de alguma doença de surgimento tardio relacionada a traumatismos cranianos.

De qualquer modo, a grande maioria dos pacientes que sofrem traumatismo craniano, e são atendidas em um pronto-socorro, podem levar uma vida normal, a depender do tipo de dano que tenha sido gerado.

Fístula liquórica

O cérebro está situado no interior da caixa craniana, e nela há até 150 ml líquido cefalorraquidiano, também chamado de fluido cerebrospinal ou líquor, produzido diariamente e substituído periodicamente. Dependendo da lesão, poderá ocorrer uma fístula liquórica, na qual esse líquido começará a vazar. Neste caso, o médico deverá realizar um procedimento cirúrgico para resolver o problema.

Hematomas

Além do hematoma subdural, o traumatismo craniano pode levar ao surgimento de um hematoma epidural, caracterizado pela ruptura óssea do crânio e lesão na meninge. Qualquer força externa pode gerar uma movimentação que leve o cérebro a se comprimir contra o osso, o que poderá culminar em algum tipo de sangramento.

Comprometimentos de funções do corpo

Ao sofrer danos, os neurônios têm baixa capacidade de regeneração. Contudo, a neuroplasticidade depende muito do tipo de dano causado. As funções do cérebro são cruzadas, logo, se, por exemplo, o indivíduo sofrer uma alteração da área motora situada na parte esquerda do cérebro, ele perderá o movimento do lado direito do corpo. A linguagem, por exemplo, exerce uma dominância no lado esquerdo do cérebro.

A área motora é responsável por toda a motricidade do corpo. Contudo, o cérebro é totalmente conectado, assim, determinadas áreas atingidas podem estar relacionadas à medula espinhal e ocasionar alterações nos movimentos dos membros do corpo.

A parte interna da caixa craniana é repleta de ranhuras, assim, a lâmina relacionada ao olfato passa por um local que contém ranhuras bem significativas. Ocasionalmente, a movimentação do cérebro pode gerar danos nessa região, fazendo com que o indivíduo se queixe de perda do olfato.

Perda do movimento de membros

Morte instantânea

A morte instantânea pode decorrer de uma lesão que tenha afetado um vaso muito grande do coração ou de outra parte do corpo.

Traumatismo craniano em crianças

Quando uma criança cai e bate a cabeça, o mais importante é avaliar como ela ficará depois de cair. Caso o adulto note algum sintoma incomum, o ideal é levar a criança a um pronto socorro para que se faça uma avaliação mais detalhada.

Se crianças com idade inferior a 2 anos caírem de alturas superiores a 1 metro, há maiores chances do desenvolvimento de lesões no interior do crânio. Já crianças com até 3 meses de idade devem sempre passar por uma avaliação médica se por ventura vierem a cair, independente da altura do tombo, afinal, nessa idade a cabeça é muito frágil, uma vez que os ossos ainda não estão totalmente formados.

Quedas acompanhadas de vômitos ou dores de cabeça

Após cair é comum que as crianças vomitem. Contudo, não devem ser registrados mais de cinco episódios de vômito ao longo de uma hora. Cair e sentir dores de cabeça também é comum. Todavia, não é normal que crianças manifestem uma cefaleia intensa a ponto de terem de interromper o que estiverem fazendo.

Queda seguida de sono

Após cair e bater a cabeça, o sono é muito frequente. O problema ocorre quando, ao tentar acordar a criança, ela demora a responder.

Desmaios

Desmaios com duração acima de 1 minuto também devem ser avaliados. O exame mais importante é a tomografia do crânio. No entanto, a realização indiscriminada desse exame não é isenta de malefícios para a criança, já que o mesmo emite muita radiação.

Sinais a serem observados depois da queda

Depois que a criança cai, é importante observar alguns sinais importantes, como, cor roxa na região dos olhos, sangramento pelo nariz ou orelha, e hematomas atrás da orelha e na região ocupada pelo osso parietal, é por baixo deste último que passa uma artéria que pode ser rompida após um trauma, causando uma hemorragia que pode fazer compressão no cérebro e, eventualmente, levar à morte.

Depois de uma queda, é muito comum que a criança exiba um pequeno “galo” na região frontal. Normalmente a lesão é benigna, não acompanhada de fratura, e, no decorrer do tempo, a tendência é que o sangramento escorra para os olhos e mude sua coloração. A resolução completa do caso ocorre após cerca de duas semanas, ou, no máximo, em até 20 dias, sem a necessidade de se fazer absolutamente nada.

Tratamento

Em caso de traumas mais graves, não se deve tocar na vítima. Nestas circunstâncias, muitas vezes a tentativa de ajudar pode atrapalhar. Ocasionalmente, pessoas desinformadas podem tentar manipular o indivíduo acidentado, o que pode agravar ainda mais um dano primário. Portanto, a ação mais adequada é contatar o SAMU e permitir que um profissional faça uma avaliação da situação. O ponto mais importante é o tempo de atendimento, contudo, às vezes os danos são irreversíveis.

Assim que uma vítima de trauma craniano chega ao hospital, ela é atendida pelo cirurgião geral ou de trauma. De acordo com essa primeira avaliação, o médico verifica se houve algum dano cerebral e, se necessário, requisita um neurocirurgião. Muitas vezes, é necessário o comparecimento de um cirurgião vascular. Mesmo que um paciente tenha sofrido um trauma craniano, ele deve ser avaliado por toda uma equipe, e não apenas por um neurocirurgião. Isso é necessário para que outros possíveis danos sejam tratados.

Uso de medicamentos anticoagulantes

Algumas pessoas são mais propensas a desenvolverem tromboses, problema que requer o consumo de medicamentos anticoagulantes. No caso de um trauma, essa condição poderá aumentar a predisposição do indivíduo a apresentar sangramentos. Logo, essas pessoas devem ser monitoradas por um hematologista ou clínico.

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